Dicas para Autorreciclagem

As Crianças e a Influência Negativa dos Vícios e Hábitos Sociais Patológicos

Para descobrir por que, em nossos dias, os vícios e manias bizarras ganharam status de coisa nobre e cada vez mais cedo contagiam os nossos jovens, em primeiro lugar, precisamos aprender a olhar para dentro de nossas casas...
"Sem olhar para trás não é possível avaliar se o caminho onde estamos permanece inalterado ou mudou..."
As Crianças e a Influência Negativa dos Vícios e Hábitos Sociais Patológicos

Há uma forte disposição nas modernas sociedades civilizadas, com o maciço apoio dos meios de comunicação, de transformar os mais bizarros, absurdos e patológicos comportamentos humanos, em posturas naturais...

Examinando a Questão...

Inicialmente não podemos evitar. Os critérios que usamos para avaliar coisas e pessoas são sempre tendenciosos. Ou seja, julgamos de conformidade com nossas expectativas. E todos os quesitos enumerados para decretar cada veredicto têm como base traços do nosso próprio comportamento, onde estão incluídas nossas crenças, preferências, ideologias, e assim por diante.

E no final de tudo isso o que vamos encontrar nas pessoas são apenas traços comportamentais semelhantes aos nossos. Em resumo, buscamos aquilo que supostamente nos agrada; alguma coisa capaz de nos proporcionar algum tipo de contentamento.

Satisfação tem sempre como origem algo já conhecido; já experimentado antes. Trata-se de uma prerrogativa que faz parte do nosso banco de lembranças. Foi satisfatório, será protocolado como fonte de prazer, digno de ser memorizado como necessário. O desejo de repetição tem sempre como referência uma experiência prévia; qualquer evento categorizado como agradável.

Apenas a partir da segunda ocorrência teremos lastro para eleger de forma calculada e eletiva alguma coisa como fonte de perturbação ou prazer. E assim nascem todas as nossas preferências, pouco importando seus status, e isso inclui as nosográficas.

E tudo isso depende da influência de caracteres do nosso temperamento, aquelas predisposições inatas, atributos a princípio invisíveis inclusive até para nós mesmos. Tais predisposições ajudam a compor todo nosso processo cognitivo, uma vez que irão inconscientemente conduzir nosso modelo de interação com todas as coisas, facilitando nossa integração com algumas e rejeitando ou resistindo a outras.

Entretanto, para que uma predisposição inata se transforme em caracteres ativos do nosso comportamento, ela irá precisar dos estímulos da mesologia, que são os processos responsáveis pelo nosso condicionamento. São eles o verdadeiro feitor e maestro de nossas posturas e personalidades, com todas suas particularidades, sejam elas negativas ou positivas.

As Bases para a Origem do Problema...

Inicialmente não existe uma relação entre indivíduos ou objetos sem que não exista entre eles um vínculo de prazer. Observe nosso tato, como prefere a superfície macia à crespa. Trata-se de uma atitude involuntária, um ato mecânico, instintivo. Basta observar uma criança bem pequena. Embora conscientemente ela não saiba por que, irá preferir o objeto suave ao invés do áspero; o ambiente tranquilo ao invés do caótico.

O motivo é simples: o áspero significa agressividade, perigo, do ponto de vista da autopreservação. O outro representa segurança, conforto. A mesma regra se aplica ao nosso modo de olhar, quando traçamos perfis pessoais de forma visual.

É complexa a fisiologia mental do homem, mas, ao contrário do que imaginamos, também a coisa bizarra, exótica, extraordinária, nos atrai. Trata-se de uma forma natural de confrontarmos ou avaliarmos tudo aquilo que será classificado como belo. Nosso cérebro é analógico, e isso quer dizer que funciona de modo comparativo a partir dos opostos. Sem o feio não é possível definir o belo; assim como que sem o trágico ou caótico não é possível definir o modelo harmônico.

É de suma importância tomar ciência desse fato. Na mente infantil ainda não há um repertório cognitivo capaz de traçar um juízo perfeito, coerente ou consciente sobre qualquer coisa. Assim, belo e bizarro, para elas, são semelhantes. O crivo das restrições para aquilo que classificamos como do mal ou do bem ainda não está consolidado naquele pequeno cérebro de poucas memórias e carente de vivências elucidativas.

A princípio a criança aprenderá através da imitação. É assim que ao ver alguém contente, supostamente feliz a partir da experimentação de alguma coisa, sentir-se-á naturalmente predisposta a repetir o processo. Errado e certo é uma regra que não se aplica a um juízo com aquele perfil imaturo, uma mente fresca, ansiosa por novos experimentos; um lugar onde todo tipo de restrição será naturalmente indeferida.

Apesar do conceito de errado e certo retratar os costumes de cada mesologia, as regras da ética universal ou do bom senso a respeito do assunto, nós já conhecemos bem. Por isso podemos alertar nossos filhos e evitar muitos contratempos. Eles não precisam cometer os mesmos erros já antes cometidos por nós para só então descobrir que aquilo não é coisa válida.

O Problema em si e seu plano de atuação...

Não existe coisa mais prazerosa para uma criança, quando ela descobre que não precisa falar sempre a verdade para sua mãe. Imagine que, com isso, ela agora se torna capaz esconder suas faltas e ainda receber compensações. Assim, ela poderá muito bem dizer que fez a tarefa de casa, ou que escovou os dentes, ou ainda que foi dormir cedo. E fará isso ao descobrir que sua mãe não tem meios de saber se ela está ou não dizendo a verdade.

A descoberta de que palavras é um poderoso recurso capaz de ocultar seus deslizes ou faltas, abre diante da criança, um imenso mundo de atraentes possibilidades. Trata-se de uma condição capaz de lhe proporcionar incontáveis vantagens e satisfações.

Ela agora pode, de fato, criar diante de sua mãe, uma falsa imagem a respeito de si mesma ou de qualquer outro, pois para isso, bastam as palavras. Mas isso ela só poderá ter aprendido observando outro, vendo como se faz, nunca sozinha.

E se antes ela temia seus pais com medo dos castigos iminentes, agora, desde que não seja pega em flagrante, estará a salvo. Mas a partir desse ponto precisará cultivar uma imagem, aquela que seus pais aprovam, e outra, aquela que eles não precisam saber que existe. E tudo isso ela aprende em casa, com seus próprios pais, irmãos e amigos; ou diante dos seus grandes instrutores modernos, a televisão e a poderosa mídia virtual da Internet.

E supondo que seus pais, irmãos, tios, ou amigos respeitados pelos pais, tenham um vício qualquer, como será que aquela criança reagirá diante da situação? Uma mente infantil é uma incógnita, e ao mesmo tempo uma coisa extremamente sensível, fortemente sujeita às induções, sugestões, especialmente se tais influências têm origem em pessoas nas quais ela confia. Poderão ser pessoas que foram aprovadas por quem ela admira, como, por exemplo, seus pais, irmãos, ou melhores amigos, e essa regra também se aplica às opiniões dos idolatrados ídolos ou figuras públicas.

Supondo ainda que seus pais não possuam vícios e em casa dão o bom exemplo. Entretanto, há aquele melhor amigo da família, que ela por empatia indireta passou a respeitar. Este também poderá servir como guia ou espelho para construção do seu modelo de ética, com maus, bons costumes, ou preferências. Ela pensa: “Se meus pais o aprovam, uma vez que abertamente nunca o contestaram ou recriminaram, então, a atitude deles é coisa certa...”

Por fim...

Por isso, bom exemplo é importante, mas não é suficiente. É preciso que além do bom exemplo, os pais e educadores se posicionem claramente que são contrários a qualquer tipo de vício ou comportamentos patológicos. Deverão deixar isso claro, assim como já fazem quando o motivo é ressaltar as qualidades dos melhores amigos; ou quando o motivo é a autopromoção, lapidação e inflação do próprio Ego.


Leia Também...