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A Propaganda e as Crianças - A Arte da Ilusão Precoce

A verdadeira história de como foi criada a bilionária indústria que transformou as crianças em compradores compulsivos...
A Propaganda e as Crianças - A Arte da Ilusão Precoce

"O pior dos males não é o maior, mas aquele que é consentido..."

A Propaganda e as Crianças - A Arte da Ilusão Precoce...

Um Conto Reflexivo: Conhecedor da sabedoria do seu mestre, questiona o aprendiz como chegar à tal condição, ao que lhe responde o mestre: "Aprenda ao questionar; questione ao aprender; questione se aprendeu; aprenda com o que aprendeu; com o que aprendeu aprenda a questionar mais...”

Nas décadas de 50 e 60, nos Estados Unidos da América do Norte, nação notória por ser capaz de propagar de forma eficaz seus costumes, manias e vícios dentro do hemisfério ocidental, as associações de vendedores, que sempre trabalharam em conjunto com a indústria da publicidade, se reuniram num grande evento privado para comemorar o estrondoso índice de natalidade, o maior verificado nos últimos anos naquele país.

Era a época do pós-guerra, e a nação americana motivada pelo seu êxito na campanha bélica tentava de se afirmar como maior potência mundial. E para consolidar sua presença na terra como uma nação de muitos, um império do tamanho da sua população, incentivava seus jovens casais a procriar como nunca. E nunca antes os casais daquela nação tiveram tantos filhos. Afinal de contas, o ato da procriação era então considerado um relevante gesto patriótico.

Nesse período, a indústria da publicidade desenvolveu suas mais inovadoras e criativas técnicas para a promoção de bens duráveis. Valia de tudo para a incitação ao consumo, a princípio, apenas dentro dos Estados Unidos da América.

E a despeito de existir o resto do mundo, suas ações se voltavam para o consumo interno, uma vez que a nação concentrava todos os seus esforços em busca de autoafirmação; da homologação do seu nome como uma espécie de anjo da guarda encarregado de intermediar e erradicar as injustiças do mundo.

Para eles o motivo era justo, afinal de contas, acabara de se consagrar como uma das coordenadoras, e de acordo com seu ponto de vista, a responsável direta pela subjugação do “inimigo da humanidade” na segunda grande Guerra. Assim, consolidar de vez seu posto de Grande Potência mundial como uma espécie de agência reguladora de costumes sociais e políticos para o resto do mundo, era fundamental.

E para demonstrar que seus métodos estavam certos, nada como exibir para o resto do mundo sua vitrine de virtudes e métodos que funcionavam. A lógica por trás da abordagem era simples: se funciona e parece bom para nós, também o será para todo resto.

Os Novos Consumidores tirados do Berço...

Por isso mesmo as campanhas maciças promovendo o consumismo interno evocavam especialmente o patriotismo. E as grandes agências publicitárias viam ali uma oportunidade de ouro para vender qualquer coisa. Tratava-se então o ato de “comprar” como um movimento nacionalista.

“Comprem; comprem sem parar e ajudem a nação a prosperar!”, era o apelo por trás de cada vinheta naquela ocasião. Depois vieram as campanhas incentivando cada cidadão a possuir duas unidades de cada coisa, bens de uso pessoal, bens duráveis, e isso incluía automóveis e até casas.

No embalo de construir uma mentalidade inteiramente voltada para o consumo dos bens produzidos pela indústria local e ao mesmo tempo de olho no futuro, incentivava-se agora o aumento da natalidade. “De que serve uma grande nação sem uma grande população?”, era a pergunta que jogavam para os jovens casais. O governo tinha especial interesse no assunto incentivando o aumento da natalidade, inclusive usando argumentos religiosos, já que aquela grande nação deveria ser a responsável pela propagação mundo afora de seus atributos, inclusive de sua prodigiosa pedagogia religiosa.

“Tenham filhos; tenham filhos aos montes e ajude nossa nação a se tornar ainda maior...” E foi o que aconteceu.

E nos bastidores do mundo das vendas, todos comemoravam tal advento. Não era para menos, os consumidores do futuro estavam sendo produzidos em larga escala a exemplo de brinquedos eletrônicos ávidos por consumir pilhas. E um mundo de possibilidades ainda não exploradas pela máquina de vendas tomava forma, mas se assemelhando a uma fabulosa arca do tesouro cujo conteúdo deveria pertencer a quem conseguisse chegar à frente.

Pensavam os vendedores: “Atualmente, nossas vendas direcionadas apenas aos adultos chegam num limite crítico, perigoso, pois quase não conseguimos mais convencê-los a comprar nossos produtos. Mas, agora que podemos usar as crianças como pretexto, um novo e quase infinito mercado de possibilidades está diante de nós, prontinho para ser explorado. E com uma vantagem, este público nós podemos construir, modelar e condicionar de acordo com nossos interesses, mesmo antes de colocarem um pé fora do berço...”

Nascia assim um exclusivo mercado inteiramente dedicado ao consumo infantil. Agora, a máquina publicitária concentraria seus esforços para criar naquelas crianças uma forma de pensamento direcionado, controlado e planejado de acordo com suas demandas mercadológicas. Consolidavam-se de vez as técnicas de alto impacto para o condicionamento em massa.

E uma ciência chamada Neurolinguística, um processo capaz de reprogramar mentalmente qualquer indivíduo através de mensagens subliminares e palavras habilmente selecionadas, ganhou força e foi aperfeiçoada.

Para os vendedores dessa nova fase, aquele mercado emergente, o infantil, era fabuloso, uma vez que poderia ser imediatamente usado. Já possuíam as técnicas, e todo trabalho agora era apenas convencer os pais a consumirem mais produtos em nome dos seus filhos. E mais tarde, gradualmente, esse novo comprador poderia ser “talhado” de acordo com as demandas de mercado.

A Força do Eufemismo MIdiático...

A despeito do grandioso mercado infanto-juvenil que se vislumbrava, os vendedores foram lembrados de que um dia, todas aquelas crianças se tornariam jovens, iriam se casar, e então se tornariam verdadeiros gastadores, desde que fossem convenientemente “educados” para esse fim. E nos bastidores das campanhas internas de vendas, os publicitários eram alertados para levar em conta esse imenso público: “Agarrem-nos enquanto estão na idade de agarrar. Vamos lapidá-los enquanto estão na idade de serem lapidados!”

Orientações dentro das grandes corporações e agências publicitárias já alertavam os redatores de que o jovem, após passar de uma faixa de consumo para outra ou migrava de um grupo etário para outro, precisava ser reprogramado para a aquisição de novos hábitos, e com uma vantagem importante: se a mensagem introduzida em seu cérebro novinho e inocente fosse bem trabalhada, poderia servir para toda vida.

“A criança de hoje é bem esclarecida; é como um adulto, já sabe exatamente o que quer. Sabe o que deseja para se realizar, para ser feliz!”, diziam com exagerado eufemismo e entusiasmo nos bastidores, e depois nas campanhas onde estimulavam e incentivavam essa “independência”, sugerindo que os emancipados poderiam exercer à vontade o seu direito ao “Livre arbítrio”.

Nascia um sólido e cada vez mais eficiente estilo capaz de criar novos comportamentos nesses novos consumidores. E ainda havia um grande e positivo efeito: Bem “trabalhados”, esses consumidores se tornariam competentes multiplicadores voluntários do “novo conceito” entre seus descendentes, amigos e parentes próximos.

Rádio, televisão, livros, programas infantis, peças teatrais, cultos religiosos, revistas em quadrinhos, contos infantis, tudo foi criado, transformado ou adaptado para “conscientizar” esses jovens da sua nova posição ou missão existencial diante desse novo mundo. Uma postura voltada para o consumo, convenientemente disfarçada de patriotismo. Era como se aquilo, de repente, por uma determinação divina, se tornasse a chave mestra capaz de abrir a porta da verdadeira felicidade.

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