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O Princípio da Desinformação Planejada

Há um grande equívoco quando se imagina que estar bem informado é sinal de inteligência. E o pior de tudo é quando imaginamos que estamos bem informados a respeito de alguma coisa...
O Princípio da Desinformação Planejada

"Aprender a separar o conhecimento inútil do útil, esta deveria ser uma disciplina regular na pedagogia tradicional..."

O Princípio da Informação...

Conta-se que um homem, por possuir enterrado numa urna um grande tesouro, se achava rico. E assim passou toda sua vida imaginando viver na opulência por acreditar na disponibilidade de sua fortuna escondida. Ao fim da vida, chamou seus herdeiros e foi ao local onde estava o baú. Ao descobrir que estava vazio, comentou desolado: “A imaginação é capaz de nos tornar ricos ou pobres, ignorantes ou sábios, e a realidade acaba por nos tirar toda essa ilusão...”

Há um grande equívoco quando se imagina que estar bem informado é sinal de inteligência. E o pior de tudo é quando imaginamos que estamos bem informados a respeito de alguma coisa.

De fato, posso acreditar em uma mentira e com isso imaginar que estou bem informado, quando a realidade seria exatamente o inverso. Uma crença não é capaz de tornar real aquilo que é uma ilusão. Por exemplo, os sábios da antiguidade acreditavam que a terra era plana, e isso, para eles, significava estar bem informado, e de fato, estavam mais mal informados que uma criança dos nossos dias.

Do mesmo modo, um jovem acredita que está bem informado apenas porque, por hábito, todos os dias, faz uma leitura rápida dos títulos das principais notícias publicadas nos periódicos midiáticos, mesmo sem conhecer em profundidade o conteúdo de nenhuma dessas matérias.

Mas, o problema maior é quando acreditamos que estamos bem informados, já que nossa fonte de referência possui o incontestável status da credibilidade, e, no entanto, estão a nos ludibriar, seja por omissão, desvio de foco ou simplesmente através da desconstrução dos fatos. Isso pode ocorrer por dois motivos: Primeiro, a fonte divulgadora também é uma vítima, e sem saber, apenas repete uma mentira que recebeu como autêntica. Segundo, a informação errada é disponibilizada de forma intencional, e a fonte tem plena consciência disso.

Em um mundo onde o tempo se torna cada vez mais escasso, onde cada lacuna desse tempo é ocupada pelos tentáculos de uma engrenagem midiática que está sempre em busca de mais audiência para seus produtos, cada indivíduo é assediado diariamente por uma quantidade de informações impossível de ser processada e digerida. Diante disso, a possibilidade de separarmos com lucidez o útil do inútil é praticamente nula.

Se o tempo é escasso, as informações precisam ser objetivas, breves, nunca completas. E o pior de tudo é que a própria mídia encarregada de divulgar um fato tende a apresentá-lo de uma forma tão reduzida que o leitor – naturalmente já avesso aos textos longos – fica impossibilitado de formar um juízo crítico sobre o assunto.

O Século da Mentira Midiática...

E além de só parcialmente mal informado, alheio à realidade, só toma conhecimento daquilo que convém aos comitês gestores das notícias, governos, ou sistemas de controle das informações. Sim, há um controle de informações, e apenas algumas se tornam conhecidas, outras, apesar de relevantes, são ignoradas. Resultado, o indivíduo além de estar mal informado sobre coisas que não lhe interessam, ainda é condicionado a acreditar que não está.

E com o advento de uma nova geração de jovens cuja disposição para questionar se tornou uma pauta proibida, fica mais fácil a proliferação das ideias e dos comportamentos patológicos que entram triunfalmente em seus lares com o status de símbolos, ideologias ou doutrinas, de um novo tempo.

E existe até a propaganda disfarçada de informação ou notícia. Funciona do seguinte modo. Uma empresa encarregada de divulgar um produto, ideia, ou qualquer outra coisa, contrata um competente redator, que por sua vez cria um artigo de impacto com a intenção de promover aquela mercadoria. O leitor, claro, raramente fica sabendo que se trata de uma propaganda. Assim surgem os novos alimentos, ideologias e conceitos que rapidamente, como pragas virais, se transformam em modismos.

Por isso, todos os dias, ganham destacada visibilidade na mídia as notícias sobre as propriedades mágicas de alguns alimentos ou tratamentos de saúde, dos quais nunca antes se ouviu falar. E logo se transformarão em sonhos de consumo na cabeça de um espectador que se recusa a pensar por conta própria.

O artigo ainda poderá vir assinado e autenticado por um falso cientista, com falsas biografias e bibliografias – lembrando-se do princípio onde o leitor com pressa nunca examina a veracidade das informações que lhe chegam às mãos. Os falsos laudos científicos, assim como as falsas referências de fontes oficiais, além do estilo requintado, dão o toque final à farsa.

E há um fenômeno curioso ocorrendo nesse momento. Na mesma velocidade em que a tecnologia ganha mais espaço em nossas vidas, menos espaço ganha nos cérebros a capacidade crítica de cada um. Questionar deixou de ser importante faz tempo, e o ato de refletir é considerado quase um atentado ao pudor, heresia ou ideologia terrorista.

Por isso o culto exagerado às coisas inúteis, cuja visibilidade e popularização têm patrocínio garantido da mídia, ganha a cada dia mais força. Aos meios de comunicação não interessa educar, uma vez que é mais fácil puxar pelas rédeas fantoches travestidos de bobos, cujo objetivo de vida é a consolidação de um status comportamental inspirado apenas nas coisas inúteis.

Também não interessa à mídia o leitor crítico, aquele consciente do seu papel existencial, que rejeita as bobagens disseminadas como necessidades. Por isso, ela investe pesado para certificar-se de que a desconstrução cognitiva comece cada vez mais cedo, fisgando o jovem ainda aos pés do berço, quando sua blindagem crítica praticamente não existe.

E eis o maior trunfo da mídia disseminadora das coisas inúteis, depois de patrocinar a remoção do senso crítico de cada indivíduo, ainda é capaz de convencer a todos de que estão progredindo de forma inteligente e lúcida, e o mais importante, por vontade própria.

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