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Os Novos e Conflituosos Caminhos do Homem

O futuro para o homem, diante de sua atual postura, não parece coisa importante, uma vez que ele tem certeza de que não estará presente para conferir...
Os Novos e Conflituosos Caminhos do Homem

Um condicionamento negativo, depois de adquirido, durante muitos anos será reforçado, reciclado, aperfeiçoado, mas, espontaneamente, jamais irá abrir mão de sua natureza original...

O Homem segundo ele mesmo...

Um Conto Reflexivo: Um monge noviço, cansado de tão rígida disciplina e organização, perguntou ao seu mestre se não poderia relaxar uma vez ou outra e gastar o tempo com bobagens. E lhe responde o mestre: "O maior problema não é o excesso de disciplina, e sim a falta de objetivos concretos, com ou sem disciplina..."

Quando observamos o comportamento das sociedades à nossa volta, ou a mentalidade que rege nossos atos, logo fica claro que o homem, a despeito da tradição à qual esteja condicionado, se foca em objetivos individuais, embora sejam comuns a todos, tais como, qualidade de vida ou sobrevivência, e claro, seu progresso material.

Mas o sucesso individual é uma condição variável e relativa. Assim, para alguns, êxito significa simplesmente ser um bom marido, um notório homem público, ou mesmo um esguio e hábil gatuno. Para todos, individualmente, do ponto de vista pessoal, sair-se bem em quaisquer dessas áreas, simboliza progresso.

Se a habilidade é ponto de distinção e confere ao seu detentor o status de mais capaz, e sempre diante dos outros, logo a competição se torna o principal protocolo existencial entre os primatas racionais ou congêneres humanos. Se a ideia de “poder mais” representa ter mais, não há como negar a competição como uma regra social aceita e praticada por todos, em todas as classes, em todas as tradições, por todos os homens, sejam santos ou pecadores.

Afinal de contas, do mesmo modo que a eleição de um santo tem no pecador sua métrica, a mesma regra vale para o seu inverso. E tudo isso depende de comparação, o que mais uma vez caracteriza um permanente estado de competição ou disputa.

Não podemos imaginar uma competição sem que não exista um perdedor e um vencedor; onde não existam antagonistas; onde não exista um objetivo que deverá ser alcançado ou conquistado e ao qual é atribuído algum valor. Conquistar quer dizer possuir, ter. E ter significa poder. Significa ser mais, pelo menos diante do perdedor ou fracassado; ou daquele que servirá de gabarito para medir, aferir o grau ou a repercussão desse sucesso ou feito.

E assim fizemos da vida na terra uma imensa arena de competição onde todos, entre si, disputam alguma coisa, seja ou não de valor. Na verdade estão em busca de alguma coisa que dê às suas vidas algum sentido e importância, já que aparentemente, na prática, ainda não se sabe que utilidade ela tem.

Em Busca de um Sentido para a Vida...

Dar sentido à vida significa sentir-se importante, bondoso, mais ético, mais poderoso e hábil, mas sempre usando como métrica a comparação com outros. Mas nada disso servirá sem o reconhecimento público. Assim, para cada indivíduo, o que mais importa é ser reconhecido como útil diante de uma sociedade que preza, cultua e reforça como princípio existencial básico, o ideal da conquista conflituosa ou dramática.

E eis o principio básico de uma guerra, onde oponentes, adversários, agora no papel de inimigos, se enfrentam pelo direito de posse de alguma coisa ou da obtenção de exclusivos privilégios materiais ou imateriais. Busca-se a concretização das aspirações pessoais demandadas pelo condicionamento de cada um. Desse modo, na ânsia de fugir do fantasma da obscuridade nasce o desejo de tornar-se bem sucedido a qualquer custo. E de forma bizarra, até o grau de sofrimento de cada um poderá servir de parâmetro para disputas.

Segundo esse ponto de vista, ser bem sucedido significa não compartilhar com ninguém as conquistas pessoais. Tendo o antagonismo como princípio básico no processo de ascender ao pódio, supondo o sucesso individual ou status como uma medida comparativa que depende da relação com um oponente, a existência de um indivíduo mal sucedido é fundamental, imprescindível. Trata-se de uma medida que servirá como referência ou gabarito para qualificar o tamanho ou valor desse status. Esse fato também elimina de vez a possibilidade de uma sociedade igualitária.

Quem se preocupa então com o planeta, se a ostentação de um diferencial pessoal ou autoafirmação diante de outros indivíduos é tudo que importa? Temos preocupação com o planeta ou conosco? Se não fosse conosco estaríamos então contrariando nosso instinto básico de preservação. Biologicamente, sobreviver é para o animal irracional tudo que importa, e não a preservação do seu entorno. E nós somos animais sob jugo da irracionalidade dos nossos ancestrais, a despeito do diferenciado dom do pensamento voluntário, algumas vezes até racional.

A aparente preocupação ambiental, na verdade não significa respeito à natureza e aos animais irracionais, e sim medo de que os recursos se esgotem, o que colocaria em risco nossa própria espécie.

O futuro para o homem, diante de sua atual postura, não parece coisa importante, uma vez que ele tem certeza de que não estará lá presente para conferir. Talvez seus filhos, ou descendentes destes. Mas quem se importa com um desfecho situado num ponto qualquer do futuro, cujas repercussões, nesse momento, não passam de conjecturas?

Assim, a preocupação com os desdobramentos de suas ações em relação ao futuro do planeta não passa de mais um eufemismo, ou postura hipócrita. Nada disso tem um significado prático, uma vez que o homem contemporâneo está plenamente consciente de que aquele mundo situado dezenas de anos à sua frente não lhe pertence, portanto, em nada irá repercutir no seu atual modo de vida.

Desse modo, para ele, trata-se de um problema para os indivíduos que farão parte daquela realidade, e isso evidentemente não o inclui. Também não o preocupa o fato de que seus filhos ou descendentes destes lá estarão. Fosse real essa preocupação, pensaria muitas vezes antes de colocar descendentes num mundo hostil criado por ele mesmo, e ainda considerar esse evento um ato de amor. Se deixar como presente para seus herdeiros um mundo com tamanha feiúra representa um ato de amor, isso talvez explique porque as dobras do seu comportamento insano sejam aceitas com tanta naturalidade.

Pensando Fora da Caixa...

Quando um homem torna-se mais importante que outro homem, destruir é para ele o seu objetivo de vida. Se ele existe para se servir de tudo que é capaz de tocar, uma vez que todas as suas obras se destinam apenas à consolidação do seu status de autosatisfação, o que é importante para esse homem senão ele próprio?

Por que ele sofre, agride, chora, odeia, idolatra e apela à divindade? Tudo isso não seria em comiseração a si mesmo? E todos não fazem a mesma coisa? E sua aclamada bondade, ele pratica a troco de que? Será que ele teria a mesma postura altruísta se como resultado de suas “boas ações”, absolutamente nenhum mérito futuro, material ou imaterial, estivesse reservado em sua carteira de créditos?

Preocupado que está apenas com o seu bem estar, onde o respeito pelo próximo lhe assegura mais benefícios que malefícios, onde o respeito pelo cônjuge se presta apenas a garantir sua autossatisfação, o homem fez do seu mundo um lugar apenas para servi-lo, e não para ser cuidado ou respeitado.

Satisfação pessoal é seu objetivo único. O coletivo, quando ocorre, é uma consequência absolutamente involuntária. Preocupação com o futuro, preservação do meio ambiente, quando acontece, quase sempre se limita ao entorno de sua casa. Obter vantagens sempre crescentes em tudo que faz é sua razão de viver. Doa para receber, senão na terra, no reino dos céus, e a isso chama de bondade, boa intenção ou ação desinteressada.

Como podemos mudar essa postura patológica que até agora tem sido responsável pela gestão desse estado caótico onde vivemos? Será que devemos, de forma passiva, aguardar por uma intervenção divina, aquela utópica condição convenientemente idealizada para nos servir em troca de autoflagelos, penitências, rituais infantis, fidelidade hipócrita, ou barganha sacra? Ou, ao contrário, devemos descartar tudo isso e tentar uma nova abordagem?

Supondo que uma deformação só é capaz de criar ainda mais deformação, não seria mais inteligente jogar no lixo essa cartilha que, durante todo esse tempo tem nos servido de guia, e começar a escrever uma nova versão? E a velha serviria apenas como referencial para todos os erros que não mais iríamos cometer.

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